Um gostinho de Marselha
Marselha é a segunda maior cidade mediterrânea da França, barulhenta e desgastada pelo sol — um porto fundado pelos gregos (o mais antigo da França, estabelecido como Massalia em 600 a.C.) que na última década se reinventou, passando de um porto industrial áspero para um dos projetos urbanos mais culturalmente interessantes da Europa. O Vieux Port ainda é o ponto central de tudo: o porto pesqueiro ativo onde os barcos descarregam suas capturas todas as manhãs no Quai des Belges e de onde saem os ferries para as Ilhas Frioul e o Château d'If (a prisão de Alexandre Dumas em O Conde de Monte Cristo). Acima dele, a basílica branca de calcário Notre-Dame de la Garde — “La Bonne Mère” — vigia a cidade do seu ponto mais alto. Na moderna orla, a esplanada J4 é o coração cultural transformado da cidade: o cubo vazado MuCEM (Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo), conectado por uma passarela vertiginosa ao forte medieval Fort Saint-Jean, e a cobertura espelhada fotogênica em L'Ombrière, de Norman Foster. O antigo bairro Le Panier, recém-renovado, e a cena gastronômica inovadora que mistura influências norte-africanas com a Provence no Cours Julien, além dos fiordes calcários do Parque Nacional das Calanques ao sul — melhor acessados de barco a partir do Vieux Port — completam o cenário.